Felizmente será apenas uma ficção

Hoje eu inventei um roteiro para um filme ou um livro. Talvez um cenário para uma história mais elaborada, com personagens.

Esta história será sobre uma comunidade em conflito, que vê seu modo de vida e seus sonhos se despedaçando, oprimida por um poder difuso. Ela percebe que algo está errado, mas não consegue entender o que mudar para poder, finalmente, ser feliz. Sua educação crítica foi propositadamente diminuída.

Os objetivos do poder difuso são concentrar mais poder e se perpetuar como poder. Este é o papel de uma centena de humanos que controlam mais que a metade das riquezas e recursos deste mundo imaginário.

Para atingir seus objetivos o poder buscará cooptar quem for possível, uns poucos milhares pela via do favorecimento e a massa pela via do convencimento ideológico.

Nesta ficção o papel do dinheiro é operar os favorecimentos e criar laços de dependência irresistíveis, já que será sempre necessário para a aquisição de superficialidades que as pessoas identificarão como estilo, status ou felicidade (ainda que vazia).

A massa será levada a acreditar que deseja a manutenção deste status quo, mesmo que seja óbvio para qualquer análise rasteira que essa manutenção a fere, subordina e prejudica. Esse é o papel da mídia, que existe para controlar, incutir desejos materiais e também para impedir a massa de pensar.

Quem não puder ser cooptado, seja por ética, independência intelectual, ou inconformismo com as carências materiais, será visto como uma ameaça que se buscará silenciar pela lei e pela força.

Esse sistema terá como característica fundamental o discurso de defesa da liberdade, que na verdade será uma máscara para suprimir liberdades e também como forma de crítica a qualquer sistema alternativo que se proponha em seu lugar.

Esta história será uma distopia, uma versão improvável e violenta da nossa realidade.

Felizmente será apenas uma ficção.