Nobody is walking on the wild side

Agora que as crianças foram dormir, o ruído diminui, diminuem as bobagens.

Sobraram os velhos insones, lembrando de quando eram eles as crianças barulhentas, lamentando menos o Lou Reed do que todas as coisas que estão terminando.

Esse som que está acabando, a rebeldia que morre com ele, com o Joey, com o Sid, Dee Dee, Mapplethorpe, Warhol, Morrison.

As lágrimas nos olhos da Blondie e da Patty Smith, o coração vacilante do Bowie, tudo isso é um pouco os últimos suspiros de um tempo inigualável, de enfrentamentos impossíveis. De poetas.

Esse tempo está sumindo, se esgarçando, e do outro lado não dá pra ver direito quem poderia seguir em frente, rebelde.

Nessa madrugada os meninos do rock, as meninas punks, vão para a cama como são: velhos. Velhos, cansados e com esse gosto estranho na boca. O gosto do fim das músicas.

O gosto do fim das vidas.

Do fim da vida.