Pagar as contas e morrer com dor

O que me irrita nas contas é a atitude covarde. Uma conta nunca te ataca sozinha. Não. Contas só atacam juntas, em bandos, para você não conseguir se defender. Contas espreitam, elas esperam um momento de fraqueza, o momento que você se distraí com o cartão e então - só então - elas te pegam.

Contas sentem o cheiro do sangue. Se você embaraca em uma promoção de algum badulaque que você "sempre quis", elas percebem. Elas te esperam na saída da loja, nas frestas escuras que existem entre as lojas do shopping e te atacam, te chutam, te socam e te mordem. Sempre mordem. Contas adoram morder.

E você lá. Patético, tentando equilibrar os pacotes e proteger os dentes ao mesmo tempo.

Não há golpe baixo para uma conta. Nem valor. Há somente uma data. Uma data e juros, pois o que uma conta mais quer é voltar. Maior, maior e maior. Contas são marombeiras taradas, a cada mês você vê seus músculos se definindo. A cada mês você sente as pancadas batendo mais duras.

Contas gostam de brincar com você antes de te comer. As contas parecem pagáveis, e você paga, e paga, e paga e perde. Você sempre perde, elas sempre ganham. Com juros. Você precisa fazer algo sobre as contas. Acho que você trabalha pouco, você precisa trabalhar mais.

Todo dia tem conta para pagar. Contas em bandos. Em matilhas, em cardumes, em alcatéias, em enxames. Você não pode vencer um enxame, você só pode morrer com dor. Pagar as contas e morrer com dor.

Isso que é vida! Uau!