Tangu-Açura

O Prof Mário Glambinsky, antropólogo famoso, da mais respeitada Universidade do País, passou a vida estudando as populações indígenas do Brasil. Seu principal interesse, contudo, racaia sobre os índios Tolu-uerema, que viviam próximos ao alto Juruá.

Após uma vida de pesquisas, Glambinsky passara a genuinamente admirar aquele povo e seu estilo sereno de vida. Glambinsky sabia que os Tolu-uerema tinham muito a ensinar para sua grande tribo de brancos em São Paulo. Naquela terça feira, ele foi dormir com este pensamento na cabeça.

Foi uma noite de revelação, desde que doze anos atrás participara do ritual de iniciação, na casa dos homens, pela primeira vez sonhou com Tangu-açura, a onça-papagaio sagrada dos Uerema.

E não foi um simples sonho, Tangu-açura sentiu a dúvida em seu coração e, grande honra, falou com ele. O chamou de "caxim", o chamou de filho, e lhe disse o que fazer.

Na manhã seguinte, Mário Glambinsky não tinha mais este nome, agora ele seria conhecido como Mário Uerema, dos Tolu-uerema, caxim de Tangu-açura. Naquela manhã, quando se aprontou para o trabalho, Mário Uerema seguiu o conselho de Tangu-açura e, como todos de seu povo, não vestiu calças.

Aquele seria o último dia de Mário Uerema como professor, mas os alunos se lembrariam rindo daquela data até depois de seus pós-doutorados, Mário Uerema foi demitido, mas nunca esquecido.

E como os Uerema costumavam dizer: "Ouve com atenção à Tangu-açura".

- Pois Tangu-açura é sábio?
- Sábio? Tangu-açura é um tremendo féladaputa!