Pensando sobre rochas, ética e gente de bem

Ética é uma interessante palavra de origem grega (ethos) que - olhem em volta - segue cada vez mais em desuso.

Foram escritos diversos tratados (literalmente), sobre o que vem a ser a Ética e não há exatamente um consenso, há mais uma direção de pensamento.

É uma palavra muito difícil de definir. Ela envolve valores como consciência e justiça, além de um certo grau de consideração pelo próximo. Naturalmente não se configura em um conceito que possa ser aplicado por qualquer um, ou mesmo compreendido por qualquer um.

O interessante da ética é que, por difícil que seja de a definir, fica muito claro, para quase todos, quando ela é suplantada.
Pode não haver consenso sobre o que é a Ética, mas é curioso como qualquer pessoa é capaz de identificar um comportamento antiético.

Também interessante é o desconforto patente que sofre a pessoa de bem, que é colocada na angustiante situação de dar suporte, seja por filiação, dever profissional, laço familiar ou posição hierárquica, ao comportamento antiético.

A pessoa de bem se constrange e desespera quando se vê forçada a apoiar o comportamento antiético. Mesmo sem que haja racionalização, o comportamento antiético surge como um martírio para a pessoa de bem.

A ética pode ser fugidia, mas o comportamento anti-ético é sólido e visível, como uma rocha. Por vezes gente de bem se vê nadando com esta rocha amarrada ao pescoço e não tem forças para a remover.

O que é uma tragédia, pois quando a rocha não estiver mais lá, gente de bem, continuará andando curvada, lembrando, ainda sentindo o peso da rocha.