A orientação política das palavras

Tenho me irritado com um problema de nomenclatura que segue forte no Brasil. Conceitos são importantes, devem ser respeitados.

Conceitualmente quando os militares "trocam" o governo eleito por outro de sua preferência, seja quais forem as circunstâncias, isso não é uma revolução. É um golpe. Um golpe militar. "Coup d'etat" em francês, o famoso Golpe de Estado. Seja no Brasil, seja na Venezuela.

Em 1964 não aconteceu nenhuma revolução no Brasil, aconteceu um Golpe de Estado, dos militares, contra um presidente legitimamente eleito que eles e os americanos temiam fossem aproximar o Brasil do socialismo. Que horror isso teria sido!

Dois fatores são pétreos na historiografia brasileira:

1) não houve revolução nenhuma no Brasil, houve um golpe, e
2) o golpe foi ativamente patrocinado pela democracia dos Estados Unidos.

Não há discussão possível sobre estes pontos.

"Revolução" é uma palavra que pertence ao outro lado. A revolução acontece quando os civis oprimidos se levantam contra os ricos, os poderosos e os militares, como na França em 1789.

Dito isso, o próximo que aparecer na minha timeline chamando o Golpe de 1964 no Brasil de Revolução, ou defendendo o regime dos militares será, excluído, como eu excluiria defensores do nazismo, da tortura, do integralismo, da homofobia ou de qualquer desvio de caráter semelhante que venha travestido de orientação política.