Malditos "uspianos"!

Era pessoa que não perdia uma chance de falar mal dos "uspianos". Havia estudado em outra faculdade (Não era universidade, era só faculdade mesmo), era até famosa naquele curso específico. Não exercia a profissão, mas sempre se definia como profissional daquela área.
Se prontificava a mostrar para todos as reportagens e editoriais da Folha falando mal da USP. E a Folha é pródiga nestas reportagens, há uma linha editorial antiacademia ali, mas que com a USP se torna visceral.
Não perdia a oportunidade de desqualificar os "uspianos", muitos aliás, seus amigos, submetidos àquela arenga. Desqualificava idéias de acadêmicos aclamados em suas áreas contra as suas próprias, que eram baseadas menos em pesquisas do que em opiniões. Opiniões de família, aliás.

Desqualificava com uma frase "tinha que ser uspiano mesmo".

Este ano seu filho prestou vestibular. Passou. Passou na mesma faculdade e profissão. Também passou na FUVEST. "Ciência política, na USP", se prontifica a mostrar o nome do filho, listado na Folha de São Paulo, "olha só, aprovado!". Mal contendo os olhos marejados.

Freud explica.